quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

VAGANDO PELA DOR

Não há motivo
Sequer razão
Quando não há sonho
Apenas desilusão

Mãos tateiam o vazio
Sigo por escuros vãos
Que me levam na contramão
Revela meu avesso, desfaleço...

Liberto minha dor
Que ecoa em sofreguidão
Mas silencia ao mundo
Esconde-se entre sorrisos

Só eu sei o peso da minha dor
Não há motivo
Sequer razão
Aonde foram meus sonhos?

Procuro-os, mas estou perdida
Presa em meus próprios vãos
Ao meu encontro, só desilusão
Abraço meu caminho sozinha...



Copyright © 2016 - Todos Direitos Reservados a Marcela Re Ribeiro - Reprodução Proibida

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

ÚLTIMO



O tempo engoliu mais um pouco do nosso tempo
Alimenta-se sem piedade - tic-tac, tic-tac...
Como um suspiro os dias passaram - sensação estranha
Mistura de medo, afliação, desamparo - será que vai dar?

Trilhamos, mas deixamos tantas coisas passarem
Mas, agora, não dá mais para voltar
Mas ela estará sempre à nossa frente, reluzente
Seguir adiante é um convite que não dá para recusar

Mas o último dia do ano nos banha com sua nostalgia
Impossível não refletir, voltar um pouco no tempo
Procuro-me nas brechas que deixei pelo caminho
Portas fechadas,  sucessos, alegrias, tristeza e tantas dúvidas

Pela janela de minha alma entra uma brisa
Um abraço daqueles que já foram ou distantes estão
Presenças recriadas pelas lembranças, sorrisos de um dia
Conversas ecoam em meu coração, confortam...

Sentimentos bons eclodem e me abraçam
Fecho meus olhos e sinto a vida pulsando
Estou pronta para vivenciar cada minuto de 2016
Não há tempo a perder

Meu último poema do ano é um sopro de esperança
Que minhas inspirações encham seu coração de energia
Abrace a vida
Feliz 2016!


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domingo, 22 de novembro de 2015

METAMORFOSE




O corpo livre despede-se
Sua trajetória nas asas de borboletas
Voa em busca de um novo destino, sentido...

Borboletas multicoloridas levam um pouco dela
Pelos lugares que desejou estar, mas não esteve
Desfazendo-se, refaz-se, liberta-se.

Espalhando seu lindo sorriso por outros jardins
No pólen germina a esperança que a ela pertencia
Sua alegria de viver multiplica-se no bater das asas.

Solidão abraçará quem dela saudade sente
O tempo apagará as lembranças
Silenciará sua gargalhada em um último momento.

Mas àquele que a amou sempre haverá uma rosa
À espera do pouso das borboletas
Que ao baterem as asas espalharão sua essência...

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segunda-feira, 5 de outubro de 2015

HISTÓRIAS ESQUECIDAS...


 No guarda-roupa o pó marca o tempo vivido
Costuras, soltas nas roupas, espalham lembranças
Sua cor desbotada, a experiência vivida
Na ausência dos botões, desilusões, tempos difíceis

Abraços que não mais acolhem
No perfume, que não exala mais cheiro, o encontro
Talvez um beijo,
Talvez um adeus...

Desprezadas, empoeiradas, alimentam traças
Destruindo os últimos rastros dos momentos
No passado vivenciou encontros e desencontros
Hoje, apenas  histórias esquecidas.




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sexta-feira, 4 de setembro de 2015

DESCASO

Crédito da foto: Jessica D' Onofrio

Fere, dilacera
Cala a esperança
Ódio em olhar de tandera
Estrangula a confiança

Alimenta o mal na veia
Naquele que o cultiva
Desejo de derrota alheia
Fascina à ação destrutiva

Silencia sem piedade
Ao chamado por ajuda
Posando de gentil à sociedade
A sós saboreia seu papel de Judas...

E há quem diga que é um santo(a)!
Tem na falsidade seu manto
Semeando o descaso e ferindo
Àquele que chama de amigo.

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quarta-feira, 22 de julho de 2015

HAIKAI - ANOITECER

Crédito da Foto: Daniel Arantes

NO CÉU ESPETÁCULO
EM CORES BRILHAM IMAGENS
UM BEIJO DA VIDA.



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sexta-feira, 29 de maio de 2015

DISCURSO SOBRE A MORTE


Alguns temas causam certo constrangimento e as pessoas evitam tocar no assunto e ficam chocadas quando alguém ousa fazê-lo. O suicídio, acredito, é um deles. Portanto, como eu gosto de olhar além e expor o que penso nunca foi um problema para mim, resolvi escrever sobre a morte, com foco no ato de tirar a própria vida.

Postei no meu mural do Facebook a seguinte frase:
“Às vezes acho que era melhor bater a cabeça, cair e ir dessa para o além... affff....”

Não precisei esperar muito para começar a receber alguns comentários e mensagens privadas. É impressionante como o “trágico” atrai as pessoas. Apesar de muitos repudiarem o que eu escrevi, houve a interação, o interesse, a vontade de saber o que estava acontecendo. Independentemente da razão: preocupação, curiosidade, gerar papo para uma fofoca – o assunto cria esse desejo pelo “saber o motivo”.

O que leva uma pessoa a pensar no suicídio e cometê-lo? Talvez uma ausência profunda de sentimentos positivos; talvez o medo de enfrentar um grande problema ou doença; talvez o cansaço de tentar, tentar e tentar e nada conquistar; talvez essa seja apenas parte de sua história e teria que ter esse fim. E não há “pecado” algum em tirar a própria vida. Talvez...

Voltando ao post do Facebook, fiquei imaginando o que passou na cabeça de cada um que o leu. Tenho certeza que muitos viram e, apesar de não comentarem, gerou um ti-ti-ti: “você viu o que a Marcela postou? Que horroooorrrr”, etc e tal. Apenas dois comentários denotavam para a sátira. E, sinceramente, foram os que mais gostei. Bacana quando alguém lê algo “pesado”, como a frase que eu escrevi, e não se importa de fazer uma piada, um comentário divertido. Isso mostra a transparência da pessoa, ela escreveu exatamente o que pensa, sem medo de ser tachada por nossa sociedade tão hipócrita.

A impressão que tenho é que existe uma redoma que coloca a vida em uma posição magnânima e, consequentemente, condena àqueles que tiram a própria vida. Para quem acredita em Deus, é dele a opção de dar e tirar a vida que a nós pertence. Opa! Então, não nos pertence, uma vez que não temos o direito sobre ela, apenas usufruímos por um tempo pré-determinado por Deus, pelos Orixás, extraterrestres, aí vai depender da crença de cada um.

Fica fácil passar esse fardo para um ser onipresente. Vejo como puro comodismo, medo de se expor, culpa ( o que vão pensar de mim, essa é a campeã). A verdade é que fomos criados dessa forma, com essa culpa e medo dentro de nós. E a polêmica é velha! Na Idade Média, por exemplo, o [1]suicídio era visto como um pecado imperdoável. Passados milhares de anos, o assunto ainda gera desconforto e é condenado da mesma forma...

O primeiro suicida, segundo pesquisa na internet, foi [2]Periandro (século VI a.C.), um dos Sete Sábios gregos. O motivo: evitar que seus inimigos esquartejassem seu corpo depois de morto.Veja bem, ele já estava com os dias contados, mas preferiu tirar a própria vida a ter seu corpo mutilado. Fazendo aqui um trocadilho mórbido, a expressão “beleza grega” faz todo sentido.

Depois do primeiro a fila andou e, segundo estudo da [3]OMS (2014), há um suicídio no mundo a cada 40 segundos. São mais de 800 mil pessoas mortas por ano e 75% dos casos são registrados em países emergentes e pobres. O Brasil ocupa a 8ª posição - mais de 11,8 mil casos em 2012. É muita gente cometendo o tal pecado imperdoável. O “inferno” deve estar com superlotação.

A vida e a morte são um grande mistério. A única certeza que temos sobre a vida é que a morte chegará e com ela um fim ou recomeço na nossa história. Vai depender da crença de cada um ou da falta dela.

Para fechar esse discurso, deixo aqui minha opinião sobre a vida e suicídio. Eu acredito que somos fantoches da nossa própria história. Livre arbítrio não existe. Eu viverei o que tiver que viver, o que está escrito para mim. Se eu vou morrer aos 95 anos dançando, ou tocando saxofone (que eu adoro), ou fazendo um sexo animal com meu velhinho, ou vou me atirar de um penhasco e tirar minha própria vida, assim eu o farei. Suicídio para mim não é pecado, não é nada pavoroso, imperdoável, é apenas parte da história de vida.

Agora, quem está no comando das cordas do meu fantoche é tema para outro discurso. Quem sabe, breve.